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Barba e livro. Bigode

Encontrei-a no site que o Google criou para hospedar imagens da revista Life.
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Fotografia novembro 22, 2008 2
Et in Arcadia ego
Por indicação acadêmica, li Antigüidade Clássica, um livreto no qual, depois de algumas considerações sobre Roma e Grécia antigas, os autores concluem o óbvio: «nossa cultura [ocidental] se apóia em séculos de investigação dos clássicos, legado presente em quase tudo que fazemos ou pensamos.» Estão montados na razão. Sem conhecer a Ilíada e a Eneida eu não perceberia que há um Aquiles e um Enéias dentro das cabeças de todos nós, mesmo que não o saibamos. Talvez a influência clássica esteja um pouco soterrada pelas idéias do guru moderno, Marxnietzschefreud, que ocupou a praça e lá, há anos, anda a fazer prestidigitações. Mas Cyndi Lauper passou, ele passará e Mário Quintana passarinho.
Voltando ao livreto, o elemento central ao redor do qual os autores constroem seus argumentos é a ruína do templo de Bassai, dedicado ao deus Apolo e localizado na Arcádia. Mais especificamente, eles analisam o friso dessa construção grega, hoje preservado no Museu Britânico, em Londres. Para tentar decifrar as figuras entalhadas na pedra, acabam criando uma reflexão sobre a tradição greco-romana.
O que mais me interessou foi a discussão final, sobre como a Arcádia é vista e retratada de modos diferentes por diversas obras de arte ao longo da história. Políbio, historiador grego que viveu no século 2 a.C., ele próprio um árcade, conta que região era tão desolada que o canto era a única coisa que restava àquela população como forma de ter algo mais do que apenas uma vida dura. O curioso é que a visão que temos hoje do local é diferente. Até nós chegou uma Arcádia idílica, justamente aquela retratada nas Bucólicas, de Virgílio. Imaginamos um paraíso pastoril repleto de prazeres, cujo lema é o famoso carpe diem.
Um episódio interessante, segundo o livro, envolvendo a Arcádia, se dá na Roma do início do século 17. O cardeal Giulio Rospigliosi (que posteriormente se tornaria papa com o nome de Clemente IX), inspirado por um epitáfio presente na já citada Bucólicas, cunhou a frase «et in Arcadia ego» (e/até na Arcádia eu). O mote apareceu em Na Arcádia, pintura encomendada a Nicolas Poussin pelo próprio cardeal. A frase seduziu a imaginação de diversos artistas e originou várias obras, como o capítulo «Também eu na Arcádia» das Viagens pela Itália, de Goethe, e o retrato das senhoras Bouviere e Crewe pintado por sir Joshua Reynolds em 1769, a respeito do qual há uma curiosa anedota no livro:
Reynolds faz uma das senhoras apontar de forma indagadora a inscrição numa lápide, enquanto a outra a examina em profunda contemplação: ET IN ARCADIA EGO ataca novamente. A tela fazia parte de uma das primeiras fornadas de quadros de Reynolds como presidente da Real Academia (instituição que fora idealizada por ele e acabara de ser formalmente criada em 1768 com o objetivo de organizar a educação artística da alta sociedade britânica). Conta-se que ele mostrou o quadro ao amigo Johnson (primeiro professor de literatura antiga da Real Academia, a partir de 1770) e que este ficou intrigado, achando «sem sentido [a frase] ‘estou na Arcádia’». O que aquilo queria dizer? O artista replicou que o rei Jorge III tinha imediatamente captado o sentido no dia anterior: «Ai, ai», exclamara, «a morte está até na Arcádia.»
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História, Literatura novembro 8, 2008 0
Para começar

L’apothéose d’Homére. Jean-Auguste-Dominique Ingres, 1827
