Posts com a tag "René Girard"
Discípulo de ninguém
Somente os romancistas revelam a natureza imitativa do desejo. Essa natureza é difícil de se perceber em nossos dias pois a mais fervorosa imitação é a mais vigorosamente negada. Dom Quixote se proclamava discípulo de Amadis e os escritores de sua época se proclamavam discípulos dos Antigos. O vaidoso romântico não se quer mais discípulo de ninguém. Ele se convence de ser infinitamente original. Por toda parte, no século XIX, a espontaneidade se torna dogma, destronando a imitação. Não nos deixemos enganar, insiste Stendhal, os individualismos professados com tanto alarde escondem uma nova forma de cópia. Os enfados românticos, o ódio à sociedade, a nostalgia pelo deserto, tanto quanto o espírito gregário não encobrem, na maioria das vezes, nada mais que um interesse mórbido pelo Outro.
René Girard, Mentira Romântica e Verdade Romanesca.
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Aspas, Filosofia, Literatura novembro 21, 2010 0
Non ecziste
Como vocês sabem, o Pedro Sette-Câmara traduziu A Theater of Envy: William Shakespeare. Já encomendei. Será um presente para minha namorada. (Todos aqui em casa são leitores de Girard, até o cachorro.) Detalhes sobre o lançamento neste link. Bônus: Girard explica essa tal de teoria mimética.
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Filosofia, Literatura março 23, 2010 2
Perdeu, Nietzsche
O indivíduo real sem dúvida existe, é aquele que contraria a multidão por razões não relacionadas a um desejo mimético negativo, é aquele que pode resistir à multidão. Nietzsche não poderia estar mais equivocado, ao declarar que o Cristianismo é a religião da multidão e que o culto a Dionísio representa a religião da aristocracia. É exatamente o contrário: Dionísio é a multidão; o Cristianismo, a minoria capaz de resistir à multidão.
René Girard. Um longo argumento do princípio ao fim.
