Posts com a tag "Literatura"

Educação clássica

Tenho em mãos Como Ler Livros, de Mortimer Adler e Charles Van Doren, presente que recebi de minha namorada. A tradução é do Pedro Sette-Câmara e do Edward Horst Wolff. Bacana ver uma editora brasileira publicar esse tipo de livro. A Vida Intelectual, de Sertillanges, vem por aí, né? E só soube há poucos dias que a Companhia das Letras lançou mais um Bellow. Ufa.

Algumas linhas do prefácio escrito por José Monir Nasser para essa nova edição de How to Read a Book:

Mortimer Adler, na realidade, é o maior filósofo da educação do século XX, tendo lutado para preservá-la dos modismos produzidos por pedagogos revolucionários e engenheiros sociais, origem das novas pedagogias pseudolibertadoras. A seu projeto de recuperação do ensino público americano deu o nome de Paideia, seguindo a tradição da formação do homem grego.

Por   Filosofia, Literatura   julho 19, 2010   3  

Nota sobre Bruno Tolentino

Lendo o ensaio «O cego nu: um exórdio», o primeiro dos dez que abrem o livro O mundo como ideia, de Bruno Tolentino, deparei-me com uma prosa repleta de procedimentos poéticos, o que torna a leitura um tanto quanto difícil. Sintaxes inusitadas, metáforas, conceitos densos, ironias, referência sutis, riqueza lexical, abuso de palavras (e frases inteiras) em outros idiomas — tantos recursos demandam do leitor muita atenção. Se na poesia a fusão de diversos procedimentos é algo esperado, o mesmo não pode ser dito sobre a prosa. Creio que tal estilo seja a base do hermetismo que os ensaios manifestam em uma primeira leitura. O estranhamento talvez tenha sido ampliado pelo fato de O mundo ser a primeira obra de Tolentino que leio. Certos autores demandam, ou melhor, exigem que o leitor se familiarize com um universo conceitual todo novo. Esse parece ser o caso de Tolentino. Em O mundo, por exemplo, a palavra «luz» possui significados nada óbvios, o que torna árduo o entendimento daquilo que o poeta quis expressar. É preciso, gradualmente, palavra por palavra, se habituar àquela peculiar sensibilidade. Há ainda outro elemento que tem dificultado a decifração da obra: Tolentino dialoga intensamente com o universo da pintura, que conheço superficialmente. E como o livro é uma espécie de discussão sobre a relação forma-realidade, o obstáculo não é pequeno.

A mistura de poesia, crítica de arte e reflexão filosófica que O mundo apresenta evidencia que o autor não teve medo de ser ambicioso. Tal postura — corajosa, diga-se — tornou o livro inacessível ao leitor despreparado. Drummond, no célebre «Procura da poesia», já alertava que as palavras, quando usadas poeticamente, possuem «mil faces secretas». É o que se sente ao ler esses ensaios de Toletino. Frase após frase, percebe-se que a força bruta é inútil. Tempo e intimidade (com a arte? com a mundo supra-sensível?) são as condições — «a chave», diria Drummond — para se adentrar. E ainda há os poemas.

Por   Literatura   junho 17, 2009   2  

Agradar a professora

7) Antônio Fernando Borges, nesta estrevista ao Café Colombo, esculacha medalhões da cultura nacional. 6) Por que os intelectuais se opõem ao capitalismo? Para Robert Nozick, eles querem «que a totalidade da sociedade seja uma extensão da escola, para que seja como o entorno que lhe foi tão bom e onde ele foi tão apreciado.» 5) Alexandre Soares Silva diz algo similar sobre os maus escritores: «Em algum momento seria bom se o escritor brasileiro parasse de enrolar o professor interno.» 4) Ótima a entrevista que Alexandra Lencastre fez com João Pereira Coutinho. 3) George Orwell disse coisas interessantes sobre as motivações dos escritores. 2) Estava eu à procura daquele conto do Poe (encontrei-o no Project Gutenberg e no PoeStories.com) quando topei com uma versão em áudio lá na Librivox. 1) Sérgio Rodrigues falou sobre seu livro Elza, a garota no Espaço Aberto

Por   Links   maio 10, 2009   1  

Desejo de originalidade

Saul Bellow é, atualmente, um dos meus escritores preferidos, mesmo que dele eu só tenha lido um livro e meio: estou na metade de Herzog; ano retrasado li O Planeta do Sr. Sammler. Fiquei feliz ao saber (se não me engano, por meio do site da Dicta & Contradicta), há alguns meses, que a Companhia das Letras «lançará» Bellow no Brasil. Acho que o autor não é editado na Nova Lusitânia há um bom tempo. Só encontrei O Planeta do Sr. Sammler e Herzog em sebos. Por curiosidade, há umas duas semanas, liguei para a editora. Ao que tudo indica, The Adventures of Augie March chega em meados de agosto. Ano que vem  será a vez de Henderson the Rain King. E em 2011 e 2012, Herzog e Humboldt’s Gift, respectivamente. Porém, este calendário pode ser modificado, me disseram.

Após terminar O Planeta do Sr. Sammler, escrevi no meu antigo blog algumas observações sobre a leitura. Não as republicarei — para que o leitor não sinta vergonha alheia. Recupero apenas alguns excertos da obra, para que a grandiosidade de Bellow fique evidente a todos que passarem por aqui. Começo com o primeiro parágrafo do livro. Sobre Herzog falarei no futuro.

Pouco após o alvorecer, ou pelo menos o que poderia ter sido o alvorecer num céu normal, o Sr. Arthur Sammler passou a vista de olhos nos seus livros e papéis espalhados pelo quarto que ocupava na zona oeste da cidade, com um sentimento íntimo de que eram os livros errados, os papéis errados. De certa forma, não tinha realmente muita importância para um homem de seus setenta e tantos anos, dispondo de inúmeras horas de lazer. Era preciso ser um verdadeiro maníaco para querer insistir em ter razão. Ter razão era, afinal, apenas uma mera questão de explicações. O homem intelectual tornara-se uma criatura dada a explicações. Os pais para os filhos, as esposas para os maridos, oradoras para ouvintes, peritos para leigos, colegas para colegas, médicos para seus pacientes, o homem para com a sua própria alma, todos tinham explicações para dar. As raízes, ou as causas disso, a fonte dos acontecimentos, a história, a estrutura, as razões do porquê. Na sua maior parte, porém, penetravam por um ouvido para sair logo pelo outro. A alma queria mesmo o que queria: tinha o seu próprio conhecimento; sentada, infeliz, na superestrutura da sua explicação, feito um pássaro que, coitado, não sabia de que lado iria voar.

Mas o pior de tudo, considerando aqueles jovens, era que atuavam sem nenhuma dignidade. Não tinham a mínima compreensão da nobreza inerente de serem intelectuais, e por isso mesmo, juízes da ordem social. Que pena, pensou o velho Sammler. Um ser humano, dando valor à própria pessoa por razões certas, detém e restaura a ordem e a autoridade, quando as partes internas da autoridade não estão em ordem, e tem de estar! Mas qual valor atribuir ao fato de ficar para sempre estacionado numa fase em que se aprende a fazer uso da privada? Qual o significado de permanecer enredado num standard psiquiátrico? (Sammler culpava os alemães com a sua psicanálise por isso.) Pois quem foi que fez da merda um sacramento? Que movimento literário ou psicológico é esse? O Sr. Sammler, com a mente amargurada e zangada, segurava-se no cano superior do seu ônibus, rodando pela cidade, numa curta viagem.

Margotte ficou fascinada. E qualquer coisa assim fascinante era assunto para discutir, e conversar, e olhar sob todos os pontos de vista, com um pedantismo inteiramente germânico. Quem era esse negro? Quais seriam as suas origens? A que classe pertencia? Quais seriam suas atitudes raciais, sua visão psicológica, suas verdadeiras emoções, suas idéias políticas? Seria ele um revolucionário? Seria, talvez, partidário da guerrilha dos negros? A não ser que Sammler tivesse pensamentos particulares para ocupá-lo, jamais conseguiria agüentar as palestras de Margotte. Era ela uma moça muito boa, mas em questões teóricas ficava muito cansativa e quando, por ventura, se preparava para discutir um tema mais a fundo, estava-se perdido. Era por isso que cuidava de moer o seu próprio café, fervia água na sua garrafa, guardava os seus pãezinhos no seu próprio humidor e até urinava na pia do seu quarto (ficava na ponta dos pés, enquanto meditava sobre a melancolia inerente às necessidades da natureza animal, com suas contínuas exigências, conforme os dizeres de Aristóteles). Ah, manhãs inteiras podiam desaparecer enquanto Margotte especulava, em sua bondade.

Elya também estava dedicado a idéias de conduta que pareciam já completamente desacreditadas, que poucos inda tinham ousadia suficiente de defender. Não era o comportamento em si que desaparecera. O que sumira foram as antigas palavras. As formas e os signos estavam ausentes. Não a honra em si, mas a palavra “honra”. Não os impulsos virtuosos, mas os termos representativos, transformados no maior dos despropósitos. Não a compaixão; mas o que era a expressão da compaixão? E exprimir a compaixão era de uma premência mortal. Exprimir o som da esperança e do desejo, exclamações de pena e de dor. Tais coisas foram suprimidas como ilícitas. Às vezes, transpareciam em cifras ou em figuras vagas, rabiscadas em vidraças de edifícios destinados à demolição (na lojinha do alfaiate em frente ao hospital). No momento atual, somente sobrava uma terrível mudez. Sobre as coisas mais essenciais, quase nada podia ser dito. Ainda assim, podiam-se fazer sinais, deviam ser feitos, tinham de ser feitos.

— Não, não quero. Mas o que eu estava dizendo? Vejam, já estou ficando velho. Eu estava dizendo que essa libertação para a individualidade não foi um grande sucesso. Para um historiador pode ser muito interessante, mas para alguém que compreende o sofrimento, é uma coisa apavorante. Corações que não recebem nenhuma retribuição, almas que não encontram nutrição. Falsidades ilimitadas. Necessidades inviáveis dentro de complexas realidades, ilimitadas. Ressurgimento, sob formas infantis e vulgares, de antiquadas idéias religiosas, mistérios, completamente inconscientes — é surpreendente. Orfismo, mitraísmo, maniqueísmo, gnosticismo. Quando sinto a minha vista mais forte, às vezes faço uma leitura da Encyclopedia of religion and ethics de Hastings. Aparecem então muitas semelhanças fascinantes. Mas também podem-se notar os mais estranhos fingimentos, uma trabalhosa e por vezes bastante artística maneira de apresentar-se a si próprio como um individuo e um desejo esquisito de originalidade, distinção e interesse — sim, interesse! Uma dramática imitação de modelos, junto com o repúdio de modelos. A antiguidade aceitava modelos, também a Idade Média — mas não quero transformar-me num livro de história diante de vocês —, mas o homem moderno, talvez por causa da coletivização, está possuído por uma espécie de febre de originalidade. A idéia da singularidade da alma, uma brilhante idéia. Uma idéia verdadeira. Mas sob essas formas? Sob essas nobres formas? Oh, meu Deus! Com esses cabelos? Com essas roupas, drogas e cosméticos, sexo, com passeios pelo mal, monstruosidade e orgias, até mesmo aproximando-se de Deus através de obscenidades? Como a alma deve sentir-se aterrorizada com essa veemência, quão pouco do que lhe é realmente caro pode ela perceber nesses exercícios sádicos. Assim mesmo, o Marquês de Sabe a seu modo louco era um filósofo do Iluminismo. Apenas pretendia ser um blasfemador. Mas para aqueles que seguem (e que não se dão conta disso) suas práticas recomendadas, a idéia não é mais a blasfêmia, mas higiene, prazer que também é higiene, e uma vida encantadora e interessante. Uma vida interessante é o supremo conceito dos simplórios.

Por   Aspas, Literatura   março 27, 2009   7  

Elza

… o escritor e jornalista mineiro Sérgio Rodrigues se volta para um episódio pouco lembrado e um tanto obscuro do passado em Elza, a Garota. Misturando jornalismo, ensaio e ficção, recupera a história do assassinato da adolescente Elza Fernandes, estrangulada a mando do Partido Comunista Brasileiro em 1936, meses após a malfadada tentativa do Partidão de tomar o poder no governo Getúlio Vargas — a Intentona Comunista.

Do site da Bravo. Lerei.

Por   Literatura   março 19, 2009   0  

Outro Isaac

Um fantasma ronda os blogs: o fantasma do meme da página 161. (Até consultei minha edição de bolso de O Manifesto Comunista, pois não me recordava ao certo da frase original; lembrava, somente, que era algo cafona). Tardou, mas ei-lo aqui, no Ocidente. A culpa é do Caio e do Gustavo. Tomo em mãos os Contos Escolhidos, de Isaac Babel. Abro-o na página solicitada. Na quinta frase, há o que se segue: «Os convidados se levantaram e começaram a cheirar as suas mulheres e a uivar.»

Por   Aspas, Literatura, Qualquer   março 14, 2009   1  

Mr. Yaowahauaaa

1) Seminário sobre sexo tântrico com Roman Danylo. Via 2blowhards. 2) Este site reúne vídeos de aulas proferidas em universidades americanas. Interessei-me pelo curso The American Novel Since 1945, ministrado por Amy Hungerford, professora de Yale, com aulas sobre Nabokov, Salinger, Pynchon, Cormac McCarthy, Philip Roth, Jonathan Safran Foer etc. etc. 3) Uma cena de Stardust Memories aqui. Via FDR. 4) Habemus Philip Roth: «I don’t think about the reader». 5) A rotina de alguns escritores e outras, er, personalidades, neste blog. 6) Encontrei esta entrevista com Nabokov no blog do Soares Silva. 7) Andew Motion diz que está cada vez mais difícil ensinar literatura inglesa porque os alunos não conhecem a Bíblia.

Por   Links   fevereiro 28, 2009   0  

Semelhanças ocultas

Estabelecida, então, além da oposição tradicional, também uma relação de cooperação entre talento e técnica, poderíamos dizer que caberia ao poeta — e à poesia — mostrar semelhanças onde não se espera achá-las, apresentar as coisas do mundo de maneira inusitada e nova. Em outras palavras, a poesia não se define por um objeto fixo, mas por apresentar certos objetos, por exemplo, os mesmos da filosofia ou da história, segundo uma perspectiva metafórica que lhes revela as semelhanças ocultas.

Do ótimo blog do Érico Nogueira.

Por   Aspas, Filosofia, Literatura   fevereiro 18, 2009   0  

Ok Auerbach

No famoso primeiro capítulo de Mimesis, de Erich Auerbach, intitulado «A Cicatriz de Ulisses», o crítico parte de um episódio da Odisséia para argumentar que o elemento da tensão é muito débil nas poesias homéricas. A cena em questão se dá no canto 19, quando Ulisses regressa e Euricléia, sua antiga ama, o reconhece por uma cicatriz na coxa. O relato desse incidente é interrompido, observa Auerbach, por mais de setenta versos. Isso ocorre exatamente no momento do reconhecimento. Após detalhada explicação da origem da marca, o narrador retorna ao aposento da dupla. É como se eles tivessem permanecido congelados, ela com careta de surpresa. Só então Euricléia deixa cair o pé de Ulisses na bacia. Habemus tensão? Nem.

Segundo Auerbach, Homero não conhece segundos planos. «O que ele nos narra é somente presente, e preenche completamente a cena e a consciência do leitor.» Tal idéia é reforçada por uma citação de Schiller, que — em correspondência a Goethe — disse que Homero descreve «meramente a tranqüila existência e ação das coisas segundo a sua natureza». Ou seja, não há espaço para a penumbra e para o inacabado no estilo do poeta, mas sim «necessidade de exteriorização dos fenômenos». Quando a cicatriz aparece no decorrer da ação, não é possível ao estilo homérico «deixá-la emergir simplesmente da escuridão de um passado obscuro; ela deve sair claramente à luz, e com ela, um pouco da juventude do herói». Isso ocorre não apenas com as ações, mas também com os processos psicológicos, uma vez que as personagens de Homero mostram o que carregam dentro de si por meio de discursos, e «o que não dizem aos outros, falam para si», em voz alta, quase berrando. Um exemplo desse mecanismo, muito bem destacado por Auerbach, ocorre quando, antes e após lutarem, Heitor e Aquiles falam, falam e falam.

Por   Literatura   outubro 28, 2008   0  

A morte do marxismo

1) Graphs on the death of Marxism and other stupid academic fads. 2) Horace Engdahl, secretário permanente da Academia Sueca (responsável pelo Prêmio Nobel da Literatura), em entrevista à Associated Press, disse: «The U.S. is too isolated, too insular. They don’t translate enough and don’t really participate in the big dialogue of literature». Quem respondeu foi Giles Foden, romancista e professor de Escrita Criativa na University of East Anglia, no The Guardian: «The proper response to Engdahl is a word conceived in America but universally understood: bullshit». 3) Larry Rohter — o jornalista americano que, em 2004, chamou Lula de pinguço —, publicou uma reportagem sobre Machado de Assis no New York Times. 4) Machado saiu também na Newsweek, ganhou um especial o Estadão e teve toda sua obra digitalizada pelo Ministério da Educação. 5) E, ainda sobre o escritor, leiam este post do Pedro Mexia, que reproduzo:

Porquê Machado? Porque é um inglês no Rio. Um sujeito céptico, fleumático, inquieto, lúcido. Porque é, com Tchekhov, o génio da tragicomédia. Porque tem ironia no understatement e no virtuosismo de estilo. Porque é lúdico na narrativa e pessimista no retrato. Porque escreveu livros «de uma filosofia desigual, agora austera, logo brincalhona, coisa que não edifica nem destrói, não inflama nem regela, e é todavia mais do que passatempo e menos do que apostolado». Porque superou incompletamente o romantismo (como se deve) e não embarcou na superstição naturalista. Porque foi um escritor de ideias, mas logo trocava uma ideia por uma digressão, por um detalhe, por um gesto.

Por   Links, Literatura   outubro 4, 2008   1  

Improviso

1) O Bruno Garschagen escreveu que Miguel Esteves Cardoso é «um dos homens mais inteligentes e civilizados de Portugal». Assistam a esta entrevista e entendam por quê. 2) Wagner & Beethoven. Conheci por acaso. Acordei os vizinhos com minhas risadas. 3) Aconteceu o mesmo quando li o Coisas de Idiota. 4) A Companhia das Letras reeditará os livros do Saul Bellow a partir do próximo ano? Excelente, excelente. 5) E todos já sabem: a História da literatura ocidental, do Otto Maria Carpeaux, foi relançada pela editora do Senado. São quatro volumes (2.880 páginas por R$ 200). A tiragem é de mil exemplares.

Por   Links   setembro 21, 2008   0