Posts com a tag "Filosofia"
Things uncomely and broken
The wrong of unshapely things is a wrong too great to be told
(W. B. Yeats)
Descobri, no blog do Lord Ass, que Roger Scruton apresentou um programa intitulado Why Beauty Matters na BBC. Gostei bastante. No filme, ele argumenta que o século XX virou as costas à beleza, criando um culto ao disforme (Lady Gaga?), o que conduziu muitos indivíduos ao deserto espiritual. Está no YouTube: parte 1, 2, 3, 4, 5 e 6.
Saggezza antica
Por algum motivo banal, talvez mera desatenção, eu nunca havia lido nada do economista e professor Ubiratan Iorio. Mas acabei assistir à gravação de um palestra dele (partes 1, 2, 3, 4 e 5), o que me fez incluí-lo na minha lista de nomes aos quais devo prestar mais atenção. Os artigos do economista podem ser lidos neste link.
Pelo que vi até agora, Iorio realmente segue aquela frase de Hayek que está na abertura do seu site ( «…an economist who is nothing but an economist cannot be a good economist») e também escreve sobre política e sociedade. Nada contra a Economia em si, mas considero os temas ditos culturais (em sentido amplo) mais importantes. Para justificar essa preferência, recorro às aulas sobre literatura brasileira e sobre short stories que tenho na universidade. As duas disciplinas são ministradas por professores brilhantes, mas que são — fato dominante na vida acadêmica brasileira — esquerdistas (o que evidencia como inteligência e sabedoria nem sempre caminham juntas, mas essa é outra história). Eles não hesitam em estabelecer relações entre literatura e vida social, mas o fazem de um modo que é, no mínimo, enviesado. É algo surreal ouvir o professor de literatura brasileira analisar poemas recorrendo a Otto Maria Carpeaux ao mesmo tempo em que pontua seus raciocínios com conceitos socialistas. A professora de short stories também faz proselitismo ideológico sempre que pode. Seu alvo preferido parece ser a Igreja Católica. Mas não é novidade para ninguém que no Brasil de hoje a esquerda praticamente monopoliza as discussões públicas sobre diversos temas, como observa Iorio em «As várias faces do radicalismo».
Dos poucos artigos que li, destaco um sobre o filósofo italiano Giovanni Reale, que despudoradamente copio abaixo. Não coloco o link direto para o site do autor porque lá o material está compactado. Divirtam-se:
Por
Aspas, Atualidades, Filosofia abril 18, 2009 0
O barbeiro suburbano
A linguagem é diálogo por essência, e todas as outras formas do falar diminuem o poder de sua eficácia. Por isso, acho que um livro só é bom na medida em que nos traz um diálogo latente, em que sentimos que o autor sabe imaginar concretamente seu leitor e este sente como se uma mão ectoplásmica saísse das linhas para tocar sua pessoa, para acariciá-la — ou então, cortesmente, dar-lhe um soco.
Há alguns dias, em um passeio improvável e repleto de discussões idem (como o leitor sabe, tal combinação é o que há de melhor em termos de convivência humana), um amigo me recomendou a leitura da encíclica Spe Salvi, de Joseph Ratzinger, vulgo Benedictus XVI, com um argumento convincente. Disse ele que o Pontífice, tanto nesse quanto em outros de seus textos, nos convida ao diálogo. Li e não me surpreendi com o que encontrei. Sei que Ratzinger é ótimo argumentador desde a leitura de um debate entre ele e Habermas, no qual fica evidente que aquele articula as idéias de modo mais agradável do que este. Meu amigo estava certo: Spe Salvi é um diálogo tanto com o leitor quanto com a Modernidade.
Em certo momento, Ratzinger faz uma distinção oportuna: diz que o progresso material da humanidade não pode prescindir do progresso moral, afirmação que qualquer indivíduo que conheça a história do século 20 não pode contestar sem parecer ridículo. Afinal, se o homem pode hoje realizar coisas incríveis apenas apertando botões, não é aconselhável que ele permaneça estacionado em uma espécie moral indígena. Dito de modo claro: não se entrega armas de fogo a crianças — é tão óbvio que se sinto meio idiota de não ter percebido isso antes.
Esses dois elementos presentes em Spe Salvi — a saber, o convite ao diálogo e crítica ao progresso meramente materialista — impregnaram os meus pensamentos por algumas horas. Depois, como é natural, os esqueci. Até que, dias depois, reencontrei-os ao ler A Rebelião das Massas, de Ortega y Gasset. Como você já percebeu, leitor, um dos trechos a que me refiro é aquele que abre este post. Eis o outro:
Boa parte da perturbação atual provém da incongruência entre a perfeição de nossas idéias sobre os fenômenos físicos e o atraso escandaloso das «ciências morais». O ministro, o professor, o físico ilustre e o novelista costumam ter dessas coisas conceitos dignos de um barbeiro suburbano. Não é perfeitamente natural que seja o barbeiro suburbano quem dê o tom do nosso tempo?
