Educação clássica

Tenho em mãos Como Ler Livros, de Mortimer Adler e Charles Van Doren, presente que recebi de minha namorada. A tradução é do Pedro Sette-Câmara e do Edward Horst Wolff. Bacana ver uma editora brasileira publicar esse tipo de livro. A Vida Intelectual, de Sertillanges, vem por aí, né? E só soube há poucos dias que a Companhia das Letras lançou mais um Bellow. Ufa.

Algumas linhas do prefácio escrito por José Monir Nasser para essa nova edição de How to Read a Book:

Mortimer Adler, na realidade, é o maior filósofo da educação do século XX, tendo lutado para preservá-la dos modismos produzidos por pedagogos revolucionários e engenheiros sociais, origem das novas pedagogias pseudolibertadoras. A seu projeto de recuperação do ensino público americano deu o nome de Paideia, seguindo a tradição da formação do homem grego.

Por   Filosofia, Literatura   19 de julho de 2010  

3 comentários

1 Isa { 07.20.10, 12:17 pm }

Logo no primeiro capítulo, gostei do seguinte trecho:

“Montaigne falava de uma ‘ignorância abecedariana que precede o conhecimento, e uma ignorância doutoral que se segue ao conhecimento’. A primeira ignorância é a do analfabeto, isto é, do sujeito incapaz de ler. A segunda ignorância é a do sujeito que leu muitos livros, mas os leu de maneira incorreta. Alexander Poper os chamava, com justiça, de livrescos estúpidos, literatos ignorantes. Na história, sempre houve ignorantes alfabetizados, isto é, pessoas que leram muito, mas leram mal. Os gregos tinham um nome especial para essa estranha mistura de aprendizado e estupidez – um nome que pode ser aplicado aos literatos ignorantes de todas as eras. Eles chamavam esse fenômeno de sofomania”

Infelizmente, ‘ignorantes alfabetizados’ parecem ser uma assustadora maioria em lugares como a universidade, por exemplo. O pior é quando essas pessoas ocupam o lugar de educadores. E os alunos, além de não saberem ler, não sabem sequer escutar o que lhes é passado de maneira crítica. Recorro a outro trecho, muito bom:

“Uma das causas dessa situação (acesso a muitos fatos, mas não necessariamente ao entendimentos destes) é que a própria mídia é projetada para tornar o pensamento algo desnecessário – embora, é claro, isso seja apenas mera impressão. O ato de empacotar ideias e opiniões intelectuais é uma atividade à qual algumas da mentes mais brilhantes se dedicam com grande diligência (…) Por vezes, no entanto, o empacotamento é feito de maneira tão eficiente, tão condensada, que o telespectador, o ouvinte ou o leitor não conseguem formar sua opinião. Em vez disso, a opinião empacotada é introjetada em sua mente mais ou menos como uma gravação é inserida no aparelho de som. No momento apropriado, aperta-se o play e a opinião é “tocada”. Eles reproduzem a opinião sem terem pensado a respeito.”

2 short dresses { 07.16.11, 2:40 am }

When you see something of acceptable appearance accomplish a agenda of how you would change the appearance yourself into something different.

3 Asinus Auri { 01.13.12, 2:24 pm }

Adler e Sertillanges: nobilis!

Deixe um comentário